“Mikhail Bakunin: Liberdade, Natureza e Revolução”, 18,30h
Realiza-se esta sexta-feira, dia 6 de Junho, na Livraria Fonte de Letras, em Évora, pelas 18,30H, uma conferência/debate sobre o pensamento libertário de Mikhail Bakunin, por ocasião do aniversário dos 200 anos do seu nascimento, que se assinalou no passado dia 30 de Maio.
O tema será introduzido pelo investigador do SHLI, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, António Baião (natural de Montemor-o-Novo) que abordará o tema “Mikhail Bakunin: Liberdade, Natureza e Revolução”.
Seguir-se-á um debate aberto a todos os que pretendam expressar a sua opinião ou os seus comentários.
A entrada é livre.
Esta conferência, organizada pela Revista de cultura libertária “A Ideia” e pelo “Portal Anarquista”, com o apoio da Livraria Fonte de Letras, será a primeira de um ciclo de Conferências Libertárias a realizar em Évora durante os próximos meses, com uma periodicidade mensal. A próxima conferência – em data e local a divulgar posteriormente – realizar-se-á nos princípios do mês de Julho e deverá abordar a figura e o pensamento do anarquista alentejano Gonçalves Correia.
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“Liberdade sem socialismo é privilégio,
Socialismo sem liberdade é brutalidade”
Mikhail Bakunin
A 30 de Maio de 2014 celebrou-se o 200º aniversário do nascimento de Mikhail Aleksandrovitch Bakunin (1814-1876), conhecido militante do movimento revolucionário europeu, filósofo e um dos teóricos do movimento anarquista internacional.
Desde a sua irrupção no círculo de filósofos de Stankevitch em 1830 e, mais tarde nas fileiras do movimento revolucionário europeu, que Bakunin chamou a atenção dos seus contemporâneos. Influenciou de maneira decisiva a história dos movimentos de libertação nacional e dos revolucionários e anarquistas russos e europeus dos séculos XIX e XX. As ideias libertárias de Bakunin, que escreveu uma crítica visionária do “socialismo de Estado” muito tempo antes do seu estabelecimento na URSS e nos países do Bloco de Leste, assim como a crítica bakuninista da religião, do patriotismo, do liberalismo, dos princípios de poder e hierarquia, prevaleceram como ideias actuais até à nossa época.
Na Rússia, Bakunin sofreu, durante anos, a censura e a difamação, primeiro por parte do czarismo e mais tarde do poder “comunista”. As suas obras não foram publicadas no seu país durante mais de 50 anos. As suas acções foram silenciadas ou apresentadas de maneira caricatural. Infelizmente, esta tradição tem-se mantido até agora. Ao mesmo tempo, o número de investigações objectivas, na Rússia, sobre a sua vida continua a ser insignificante e a as investigações estrangeiras sempre têm sido de difícil acesso em consequência dos obstáculos linguísticos e de informação. A personalidade apaixonada, mas contraditória, de Bakunin suscita frequentemente críticas baseadas no preconceito e subjectivas, é vítima de desinformação e de deformações ideológicas que herdámos duma tradição liberal, conservadora e também marxista.
No entanto, depois de ter tido uma influência decisiva no movimento revolucionário e operário internacional na transição entre o século XIX e o século XX, Bakunin e as suas ideias, nomeadamente o seu avançado conceito de liberdade e de crítica à exploração e à opressão, começam a ter hoje uma nova expressão, seja nos meios intelectuais e universitários, seja nos ambientes juvenis e radicais dos movimentos sociais em todo o mundo, nomeadamente na América Latina e na Europa.
Sem líderes, os anarquistas assinalam este aniversário por aquilo que ele é: um olhar sobre a vida e o pensamento de um dos mais combativos e fecundos libertários de todos os tempos. (nota de imprensa)