Há poucos minutos passei à porta da "Associação Pão e Paz", em Évora. Como sempre, faça sol ou chuva, junto à pequena casa em que um pequeno grupo de voluntários exerce diariamente uma prática real de solidariedade social, começava a criar-se uma fila de pessoas para o almoço. Aproveitando a sombra, no passeio em frente, homens, mulheres, crianças, iam-se perfilando para os alimentos que diariamente ali são servidos. Para a maioria, esta é a única tábua de salvação e a única diferença entre a fome absoluta e alguma satisfação alimentar.
Entretanto, a cidade vai assobiando para o lado sem querer perceber qual o estado de verdadeira emergência em que se encontram muitos dos seus concidadãos. Quase única voz neste deserto, a "Pão e Paz" vai fazendo o que pode na casa minúscula que ocupa, sem condições, quando pela cidade existem tantos espaços livres e que poderiam ser disponibilizados para esta urgente tarefa de solidariedade.
Teresa Caetano, a presidente e uma das entusiastas da Associação, falava-me disto numa entrevista, dizendo, no entanto, que a localização das instalações terão que ser sempre perto dos bairros de que são oriundos os utentes mais carenciados, que procuram a associação - neste caso Malagueira, Cruz da Picada, Horta das Figueiras...
Mudam Câmaras, mudam governos, gasta-se dinheiro em tudo e mais alguma coisa, mas as necessidades de apoio social efectivo - ao nível da própria alimentação básica - continuam ignoradas por parte dos poderes públicos e que apenas a solidariedade de algumas (poucas) instituições consegue colmatar.
O poder em Roma dava aos seus cidadãos, para os manter sob controlo, "pão e circo". Estes poderes que por cá vão persistindo nem já pão distribuem. Ficam-se pelo circo. E, mesmo assim, quase sempre, de fraca qualidade.
Dizia-me Teresa Caetano há um ano atrás que a associação a que preside auxiliava por dia 130 pessoas em Évora, com refeições a famílias altamente carenciadas. Hoje são cerca de 300 as refeições que serve diariamente. Quantas mais serão amanhã?
Fica aqui também o apelo da sua presidente:
Caros amigos da Pão e Paz
A nossa Associação de Solidariedade Social, atravessa o momento mais difícil, desde o seu início em 2001.
Por decisão da sua Direção pusemos já este ano, limite no número de utentes, que todos os dias beneficiam das nossas refeições.
Estamos a servir, neste momento 300 refeições diárias. Já tivemos um número maior de pessoas, mas como não temos qualquer subsídio da Segurança Social tivemos que constituir lista de espera (que cresce cada dia mais) pois torna-se insustentável a Pão e Paz conseguir garantir dar resposta a todos os que nos procuram.
Sempre demos refeições para os Domingos e Feriados, leite para as crianças com menos de 10 anos duas vezes por semana, leite para todos os utentes semanalmente, mas ultimamente já não conseguimos prestar este apoio extra, sendo só possível doar aos nossos utentes quando no-lo dão.
Não queremos cruzar os braços e precisamos mais que nunca da ajuda de todos.
Um obrigada muito grande aos que têm estado connosco nesta luta que é dos que sentimos responsabilidade social, fraternidade e respeito por todo o ser humano.
A Presidente
Maria Teresa Caetano