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Joaquim Palminha Silva |
Em Portugal, a esquerda tradicional e a esquerda “moderna”, ensandeceram de todo! O caminho que acabam de apresentar ao eleitorado é profundamente irrealista! – O PCP não apadrinha nenhum programa de unidade com os outros agrupamentos de “esquerda” como, de resto, nunca tal desejou no passado. Por sua vez, os agrupamentos de “esquerda”, incluindo o BE, são formações políticas de acaso, sem ideologia definida, mais parecidos com sindicatos do que com partidos políticos… No conjunto, um saco de gatos assanhados, esgatanhando-se uns aos outros em demanda do pequeno protagonismo… de que nem sempre são capazes!
Neste momento, a “venda de bilhetes” para o espectáculo do” leilão” de Portugal já vai muito adiantada, e próxima da “lotação esgotada”, pelo que é completamente ingénuo ou descarada hipocrisia, pretender convencer o eleitorado de que toda esta “esquerda”, uma vez “unida”, poderia mudar a gestão do nosso “Hotel da Barafunda”…
Nem o PS, com as suas habilidades, parecidas com o jogo «Rapa, Tira, Põe, Deixa», trocando as voltas às contas para chegar à mesma conclusão que a direita, nem o PSD-CDS se afastam dos miasmas do “beco sem saída” para onde nos empurraram!
Num País profunda e dolorosamente endividado, absolutamente dependente de financiamento exterior para garantir a subsistência das “coisas” mais elementares, nas mãos de impiedosos credores estrangeiros, que não se comovem com fados e guitarradas, são impossíveis as possibilidades de manobra para lutar contra as “reformas” que nos são impostas pelos prestamistas estrangeiros.
Seguindo a linha de pensamento “financista” do Fundo Monetário Internacional, do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia, não existe nenhuma possibilidade de sairmos da UE (e da crise), portanto, do círculo vicioso onde somos exprimidos dia após dia, enquanto ainda tivermos pedaços do País a necessitarem de “reforma”, em favor deste ou aquele grande grupo europeu…ou chinês!
Não adianta a pedincha de mais tempo para pagar as dividas; não adianta nada neste momento, face à “fuga” da mão-de-obra qualificada em direcção ao estrangeiro, atascados até ao pescoço na corrupção galopante em todos os sectores da Administração Pública ou, em alternativa, emoldurados pelos absurdos da burocracia, da negligência e da falta de seriedade profissional na administração pública local, regional e central. Não adianta o acomodar reformista da “esquerda” tradicional nem as piruetas falaciosas da “esquerda juvenil”…
A EU (União Europeia) preconiza apenas o desmontar da Nação (das nações!), “peça a peça”… Mas se por acaso a Nação votar maioritariamente num agrupamento regateador, pouco “polido” (caso do partido Syrizana Grécia!), logo a linguagem da UE se apropria do paleio dos mafiosos dos filmes negros (série B) americanos: - Se não “reformares” não ganhas o empréstimo, se não fizeres isto não te damos aquilo!
Enfim, a Democracia é boa… Desde que as regras garantam a vitória continuada do centro-direita… Mas se por exemplo ganham eleições nacionais os comunistas (mesmo os mais reformistas, folclóricos e “sossegados”, tal os portugueses!) logo a UE grita («Aqui d’el Rei! Que vão aos ovos de oiro das nossas galinhas!) que assim “não vale”, que é preciso mudar as regras do jogo”, etc., etc..
Para sair deste martírio é preciso mais do que palavras: - É preciso uma ruptura radical, necessariamente complexa, assumida por uma inexistente elite revolucionária!
Entretanto, façamos a nós mesmos o favor da verdade: - Neste momento histórico, não há alternativa… Temos de bater com a cabeça de encontro à realidade!…
Temos de aceitar, embora regateando aqui e ali, o que ainda não podemos mudar, esperando que algum dia seremos capazes de cumprir o “nosso próprio destino”!